O Lápis

May 8th, 2007

Sem eletricidade pela manhã e precisando escrever um texto, procurei as canetas. Secas, falhando ou soltando tinta demais, sabe como é? E ali estava um lápis que eu não tenho a menor idéia de como surgiu e há quanto tempo. A ponta apontada. 

Comecei a escrever com o lápis. Algumas coisas começaram a acontecer na minha memória e no meu coração. Voltei correndo para o Grupo Escolar D. Henrique Gelain (emérito bispo da diocese de Lins) e comecei a recordar das primeiras letras, ditadas pela dona Gessy Beozzo, no caderno de caligrafia. Senti que a minha mão ainda fluía bem com o lápis. Além de tudo, é higiênico. Só que a ponta acaba. E foi com uma afiada faca de churrasco que fiz o serviço. Que prazer, gente, fazer a ponta de um lápis. Fiz devagarzinho para não desperdiçar a emoção da minha volta ao passado. 

E me lembrei que todos nós começamos a escrever com ele. Mas, ainda com sete anos, o sonho era começar a usar a caneta tinteiro e o mata-borrão. Mas isso era coisa para o pessoal mais velho, do segundo ano, na classe da dona Clara. A caneta era com pena que a gente mergulhava no tinteiro. Voltava imundo para casa. Aí o sonho era a caneta Parker (que eu um dia escrevi aqui Park) que já vinha com tinta que a gente carregava em casa, num mecanismo avançadíssimo. 

Depois o sonho foi a Lettera 22, depois a IBM de bolinha (dava para apagar os últimos dígitos errados) e depois veio o computador e agora o sonho é um Pentium 5. E o lápis ficou lá atrás. Só que ele não seca, não acaba e não suja.Aí me lembrei que existiam uns lápis que tinham uma borrachinha na outra ponta. Para apagar erros. Não resisti, saí e comprei. Não um, mas vários. E, é claro, um apontador. Não aqueles modernos com  manivela, de mesa, mas daqueles pequenininhos, que hoje são de plástico transparente. Na minha época não existia plástico. Eles eram de madeira mesmo. Aproveitei e comprei uma caixa de lápis colorida. Trinta e duas cores. Uma lata bonita. 

Aí, não tendo mais o que inventar para brincar, resolvi escrever um texto com letra de forma (porque se chama de forma?), escanear e ver se o computador reconhecia o meu texto. Não. Não por culpa dele, mas pela minha letra mesmo que, nestas últimas décadas, dado ao desuso, não apenas o computador não reconhece. Afinal, hoje em dia, além de preencher cheques, para que serve escrever à mão? Como para que serve saber somar ou subtrair se as maquininhas estão aí? Para que serve o curso primário? 

É aqui que eu queria chegar. Não adianta o governo testar alunos e professores e universidades. Vai dar sempre zebra. O buraco é bem mais embaixo senhor Ministro da Educação. Vamos voltar ao lápis e ao dois mais dois. Vamos começar pela base. Vamos escrever a lápis. Mesmo porque, se não der certo, a gente apaga e começa de novo.

Mário Prata (O Estado de São Paulo - 07/07/2004)

Como comecei a escrever

April 17th, 2007

Já contei em uma crônica a primeira vez que vi meu nome em letra de forma: foi no jornalzinho “O ltapemirim”, órgão oficial do Grêmio Domingos Martins, dos alunos do colégio Pedro Palácios, de Cachoeiro de Itapemirim. O professor de Português passara uma composição “A Lágrima” — e meu trabalho foi julgado tão bom que mereceu a honra de ser publicado. Eu ainda estava no curso secundário quando um de meus irmãos mais velhos — Armando — fundou em Cachoeiro um jornal que existe até hoje — o “Correio do Sul”. Fui convidado a escrever alguma coisa, o que também aconteceu com meu irmão Newton, que fazia principalmente poemas. 

Eu escrevia artigos e crônicas sobre assuntos os mais variados; no verão mandava da praia de Marataizes uma crônica regular, chamada “Correio Maratimba”. Quando fui para o Rio (na verdade para Niterói) por volta dos 15 anos, mandava correspondência para o Correio. Continuei a fazer o mesmo em 1931, quando mudei para Belo Horizonte. A essa altura meu irmão Newton trabalhava na redação do “Diário da Tarde” de Minas. Em começo de 1932 ele deixou o emprego e voltou para Cachoeiro; herdei seu lugar no jornal. 

Passei então a escrever diária e efetivamente, e fui aprendendo a redigir com os profissionais como Octavio Xavier Ferreira e Newton Prates. Quando terminei meu curso de Direito, resolvi continuar trabalhando em jornal.  Fazia crônicas, reportagens e serviços de redação. Ainda em 1932 tive uma experiência bastante séria: fuI fazer reportagem na frente de guerra da Mantiqueira missão aventurosa porque a direção de meu jornal’era favorável à Revolução Constitucionalista dos paulistas, e eu estava na frente getulista. Acabei preso e mandado de volta. A essa altura eu já era um profissional de imprensa, e nunca mais deixei de ser. 

Rubem Braga

Texto extraído do livro “Para Gostar de Ler - Volume 4 - Crônicas”, Editora Ática - São Paulo, 1980, pág. 4.

Produção Textual - Umirim

April 17th, 2007

Eu, aquele dia e aquele moço 

Eu. Mais  um entre milhões que a cada dia lutam por uma sobrevivência.       

Aquele dia. Mais um como tantos outros cheios de problemas a resolver, aborrecimentos para suportar e mais uma missão a ser cumprida.       

Aquele moço. Ele está completamente decepcionado com tudo que a vida lhe reserva, ele não pensa mais em viver, ele quer deixar para trás todas as suas frustrações. A solução encontrada? Ele decide pular de uma ponte, acabando assim com seu sofrimento.    

Eu estou passando por ali, como todos os dias faço e vejo uma multidão a observar aquele pobre homem prestes a acabar com a sua vida, fico estático, como essas pessoas conseguem assistir a tudo isso sem fazer sem fazer nada para salvá-lo, logo penso: tenho que salvá-lo! Me aproximo e tento convencê-lo a desistir: Como? Tento fazê-lo enxergar a vida como algo lindo que Deus nos deu, e que problemas existem para torná-la mais emocionante e para nos fazer crescer, e evoluir quanto pessoas, não desista, pois viver é sempre a melhor escolha.       

Ele chora muito e diz: - Nunca ninguém se importou tanto comigo. E decide por viver, mas por armadilha do destino, quando ele tenta retornar para esse lado da ponte, infelizmente escorrega, seguro em sua mão bem forte, não vou deixá-lo cair, pois ele é precioso, os outros vendo aquela cena decidem também ajudar, e ele está vivo, e o melhor, ele está feliz por isso, eu feliz por motivá-lo a essa nobre escolha.  

Ana Karla Moreira Fernandes - Professora da EEFM José Pinto Brandão

Produção de Texto - Umirim

April 17th, 2007

                                                                       Texto Poético 

Temos para nos auxiliar

diversos gêneros textuais

com eles podemos trabalhar

                                                          fenômenos históricos e culturais 

Para bons resultados

os alunos temos que motivar

através de uma boa leitura

podemos conscientizar

a importância da leitura

                                                                para a educação melhorar 

A poesia nos anima

a uma leitura com prazer

dando estímulo ao aluno

para começar a escrever

tornando-o um bom leitor

nessa busca do saber. 

Grupo da Poesia

Professoras Evelma, Elisângela e Karla

Produção Textual - Umirim

March 23rd, 2007

Leitura e Escrita X Realidade e Desafios

Entre as questões abordadas, destacamos a importância do processo ensino-aprendizagem na língua portuguesa com relação à leitura e a escrita.

Nossos desafios perante a leitura e a escrita de nossos alunos é lento e gradativo na medida em que nos deparamos com a falta de interesse e, principalmente, de recursos que visam a qualidade para esse aprendizado.

Seria mais sensato de nossa parte investir no conhecimento prévio do aluno, sendo que o professor tem grande contribuição para despertar e fazer acontecer, contagiando o ambiente de forma prazerosa, onde o aluno se sinta à vontade para expor o seu pensamento.

Para desenvolver esse processo é necessário conscientizar os alunos de que a leitura é fundamental não só para o seu desenvolvimento intelectual, como também social. É na leitura que começa o despertar no aluno da capacidade de organizar idéias e a partir daí a construção dos textos.

Enquanto não aprendermos a educar e oferecer instrumentos eficazes e capazes de nortear a prática de nosso aluno, nunca se chegará aos objetivos que tanto almejamos.

Professoras: Dalma, Liduína e Lia Raquel

Produção de Texto - Umirim

March 15th, 2007

Produção Textual a Partir da Vivência do Aluno 

A produção textual tem sido explorada nas escolas através dos livros didáticos e dos vários projetos desenvolvidos pelo governo, que chegam às escolas como ponto de partida para a exploração da leitura e escrita.       

Não tem sido fácil a execução desse trabalho em sala de aula, por vários fatores: o desinteresse do aluno pelo livro, a falta de ambientação, os textos escolhidos que por vezes não atraem os alunos, a falta de “intimidade” dos professores com os diversos autores, etc.       

Porém, somos conscientes de que a partir da produção de texto levamos o aluno para o aprendizado e a formação da cidadania. É uma questão fundamental trabalhar assuntos que despertem nele o interesse e leve-o à criação de textos, no qual os temas abordados estejam dentro da realidade de sua comunidade, escola e de sua própria família.       

Vale lembrar que devemos trabalhar a diversidade de gêneros para buscar no aluno o conhecimento e o desejo pela escrita e leitura. Os temas podem ser buscados a partir das opiniões dos próprios alunos, incentivando-os a procurarem temas polêmicos ou interessantes do seu cotidiano.       

Para que o aprendizado aconteça é necessário que o aluno tenha ajuda, professor dinâmico e que goste da leitura, apresentação de textos diversos para despertar o gosto pela produção, enfim, ajudando o aluno a criar, crescer e vencer as dificuldades. 

Professoras: Cândida, Elizete e Dalvani

Produção de Texto - Umirim

March 15th, 2007

Herói nosso de cada dia 

O que faz uma pessoa ser herói? São feitos extraordinários? Salvar uma criança em perigo, escalar prédios altos, nadar em águas profundas, parar no ar ou possuir uma força animal? O cidadão comum pode ser chamado de herói? Quem são os heróis da vida real?       

O dia amanhece, saio de casa levando comigo um pouco de esperança. Na busca do que comer, atendendo ao apelo dos filhos que se tornaram a força propulsora de minha vida, que me dão uma única certeza: a vida não pára.       

Findou o dia, o cansaço chegou, mas não fui vencido.  O sol outra vez brilha e cedo anuncia um recomeço. O seu calor renova a minha esperança e logo me avisa: é preciso continuar.        Mais um dia de trabalho. Mais um dia de herói. O que vem pela frente, não sei, no entanto, devo estar preparado para as surpresas que o dia traz.       

Assim, escapo dos monstros da vida chamados medo, insegurança, impossibilidade, incapacidade, fracasso, derrota…       

Preciso sonhar para não morrer. Continuo a lutar, a querer, a acreditar e a sonhar, apesar das desigualdades, injustiças e de estar rodeado por aqueles que têm o “poder” de mudar, dar condições e garantir as realizações mais simples. Estão eles a negarem seus “poderes” ou são “heróis” vencidos?       

Insisto em lutar. Venço as batalhas. Não desisto.       

Não sou reconhecido. Não estou na mídia. Não falam meu nome nas escolas. Não sou personagem nas histórias que os pais contam para os filhos.       

Sou herói porque vivo num mundo que para sobreviver é preciso ter fé, garra, gana. 

Obs.: Se você, professor(a), reconhece este texto como produção sua, favor nos informar para que possamos colocá-lo(a) como autor(a).

Uma Imagem de Prazer

March 9th, 2007

Clarice Lispector

Conheço em mim uma imagem muito boa, e cada vez que eu quero eu a tenho, e cada vez que ela vem ela aparece toda. É a visão de uma floresta, e na floresta vejo a clareira verde, meio escura, rodeada de alturas, e no meio desse bom escuro estão muitas borboletas, um leão amarelo sentado, e eu sentada no chão tricotando. As horas passam como muitos anos, e os anos se passam realmente, as borboletas cheias de grandes asas e o leão amarelo com manchas - mas as manchas são apenas para que se veja que ele é amarelo, pelas manchas se vê como ele seria se não fosse amarelo. O bom dessa imagem é a penumbra, que não exige mais do que a capacidade de meus olhos e não ultrapassa minha visão. E ali estou eu, com borboleta, com leão. Minha clareira tem uns minérios, que são as cores. Só existe uma ameaça: é saber com apreensão que fora dali estou perdida, porque nem sequer será floresta (a floresta eu conheço de antemão, por amor), será um campo vazio (e este eu conheço de antemão através do medo) - tão vazio que tanto me fará ir para um lado como para outro, um descampado tão sem tampa e sem cor de chão que nele eu nem sequer encontraria um bicho para mim. Ponho apreensão de lado, suspiro para me refazer e fico toda gostando de minha intimidade com o leão e as borboletas; nenhum de nós pensa, a gente só gosta. Também eu não sou em preto e branco; sem que eu me veja, sei que para eles eu sou colorida, embora sem ultrapassar a capacidade de visão deles (nós não somos inquietantes). Sou com manchas azuis e verdes só para estas mostrarem que não sou azul nem verde - olha só o que eu não sou. A penumbra é de um verde escuro e úmido, eu sei que já disse isso mas repito por gosto de felicidade; quero a mesma coisa de novo e de novo. De modo que, como eu ia sentindo e dizendo, lá estamos. E estamos muito bem. Para falar a verdade, nunca estive tão bem. Por quê? Não quero saber por quê. Cada um de nós está no seu lugar, eu me submeto bem ao meu lugar. Vou até repetir um pouco mais porque está ficando cada vez melhor: o leão amarelo e as borboletas caladas, eu sentada no chão tricotando, e nós assim cheios de gosto pela clareira verde. Nós somos contentes.  

Texto extraído do livro: Para não esquecer. Clarice Lispector. Editora Rocco. Rio de Janeiro. 1999. p. 36 - 37. 

Produção de Texto - Trairi

March 9th, 2007

Mas eu conheço o sistema, meu irmão 

Estou na tranqüilidade de meu lar, repousando de meu cansado labor. Quando inesperadamente, chega uma visita. Um homem de boa aparência, roupas bonitas, elegante. Educadamente, pediu licença para com minha família conversar. Ele tinha palavras bonitas e uma simplicidade admirável.       

Senti-me honrado com sua visita, muito embora não soubesse quem era e o que pretendia. Mandei-o entrar, sentar-se e batemos um longo papo. Falamos sobre o problema de nosso povo e ele, muito generoso e demonstrando um certo poder, comprometeu-se em ajudar-nos, disse que tudo ia mudar, só bastaria que nós ficássemos de seu lado.       

Minha família encheu-se de ilusão, mas eu já estou calejado, não me dei por convencido, pois era mais um que vem ao sertão e se arvora a ser Deus, prometendo vestido pra Maria e roçado pra João. 

Professoras: Bernadete, Conceição, Nilrinha e Soraia.

Produção Textual - Trairi

March 7th, 2007

O Ser Humano 

O homem é privilegiado

Dotado de inteligência

Fruto da inspiração divina

Feito de sentimentos

Que o levam ao bem e ao mal 

No cenário da vida

Somos espectadores de diversas cenas

Muitas nos fazem rir

Outras nos fazem chorar

Assim é a nossa vida. 

Hoje os valores se diluíram

Com a maldade humana

É triste ver a banalidade

De quem não respeita seu semelhante. 

Nesse cenário da vida

Vemos sangue jorrando nas ruas

Criança abandonada

À margem do olhar

De quem pode ajudá-la

Famílias de degradando

Onde está o amor,

Sentimento essencial

                                                             Para uma sociedade feliz? 

Professoras: Valdenir Pinto, Elizeuda e Marlieide